As eleições europeias, que terão lugar no próximo mês de Junho, acontecem num momento crítico para o futuro do projecto europeu.
A actual crise financeira e económica internacional só veio reforçar ainda mais a necessidade de uma Europa mais forte:
• Uma Europa capaz de coordenar e implementar respostas consistentes e eficazes para superar a recessão e relançar a economia;
• Uma Europa capaz de desempenhar um papel decisivo na construção de uma nova ordem financeira global e capaz de encontrar o caminho de uma regulação mais eficaz do próprio sistema financeiro europeu;
• Uma Europa capaz de concretizar a ambição da Estratégia de Lisboa, que traça o rumo para uma Europa mais competitiva e solidária e continua a ser a melhor resposta europeia aos desafios da globalização;
• Uma Europa capaz de colocar as pessoas no centro das suas preocupações e assegurar o futuro e a renovação do chamado “modelo social europeu”, em direcção a uma nova Europa Social;
• Uma Europa capaz de promover a igualdade de oportunidades e a igualdade de género, bem como de combater a violência doméstica e todo o tipo de discriminações;
• Uma Europa capaz de estabelecer um Pacto Europeu para o Progresso Social e desenvolver uma política de imigração mais eficaz, mais humana e mais justa;
• Uma Europa capaz de concretizar uma estratégia de ambição para a sustentabilidade energética e de manter a liderança na agenda ambiental e no combate às alterações climáticas;
• Uma Europa capaz de se afirmar no Mundo como bloco político ao serviço da paz, do direito internacional, do multilateralismo, dos direitos humanos e da cooperação para o desenvolvimento; enfim,
• Uma Europa capaz de aproveitar a oportunidade da nova administração norte-americana de Barack Obama para relançar, em novos moldes, as relações transatlânticas e a cooperação estratégica entre a Europa e os Estados Unidos da América.
Este ideal de uma Europa mais forte, mais coesa e mais prestigiada implica, contudo, a urgente superação do impasse institucional que ainda persiste. Para isso, é absolutamente fundamental a rápida entrada em vigor do Tratado de Lisboa, concluído durante a Presidência Portuguesa da União Europeia. O Tratado de Lisboa continua a ser, sem qualquer dúvida, o maior e o melhor denominador comum para a resolução dos problemas institucionais e políticos da governação da Europa.
Os portugueses sabem que o Partido Socialista é, verdadeiramente, o partido da Europa, o partido do grande projecto europeu. Foi com Mário Soares que Portugal pediu e concretizou a adesão à União Europeia. Foi com António Guterres que Portugal conseguiu a adesão ao Euro e a Europa ganhou a Estratégia de Lisboa. Foi com José Sócrates e com o reconhecido sucesso da última Presidência Portuguesa, que o Tratado de Lisboa se tornou o novo alicerce de toda a construção europeia.
O ideal europeu sempre constituiu uma marca na identidade do PS – mas sempre constituiu também uma fronteira de demarcação, em particular face às forças políticas à nossa esquerda, seja da esquerda comunista, seja da extrema-esquerda. Também aqui, esses “partidos de protesto” preferiram sempre ficar à margem e nunca quiseram verdadeiramente contribuir para a construção do projecto europeu, com tudo o que ele representa como projecto de paz, de prosperidade, de qualidade de vida e de igualdade de oportunidades para Portugal e para os povos da Europa. Não é possível disfarçar estas diferenças: os portugueses devem votar nas próximas eleições europeias com perfeita consciência de quem é que na esquerda está seriamente empenhado na Europa, para fazer avançar o projecto europeu e quem é que na esquerda está apenas emboscado na Europa, para sistematicamente combater qualquer avanço, mínimo que seja, do projecto europeu.
O PS disputará as próximas eleições europeias com a máxima convicção, apresentando uma lista forte, para ganhar. Daremos conta do excelente trabalho desenvolvido no Parlamento Europeu pelos Eurodeputados portugueses eleitos pelo PS, valorizaremos a nossa inserção no Partido dos Socialistas Europeus (PSE) e, sobretudo, empunharemos a bandeira do projecto europeu em que sempre acreditámos e de que Portugal, a Europa e o Mundo tanto precisam - e hoje mais do que nunca.