Apesar da política de rigor que foi necessário realizar para reduzir o défice e pôr ordem nas contas públicas, o Governo concentrou-se desde o início na tarefa de promover o crescimento económico e a criação de emprego.
A economia, que o PS recebeu, no início de 2005, a crescer apenas 0,3% e a declinar, inverteu essa trajectória e recuperou de forma contínua e progressiva, crescendo 0,9% em 2005, 1,4% em 2006 e 1,9% em 2007. Um crescimento económico inevitavelmente moderado, dado o necessário processo de consolidação orçamental, mas saudável, puxado inicialmente pelas exportações – exportações, aliás, de maior valor acrescentado, pela primeira vez com saldo positivo na balança tecnológica - e depois também pelo investimento.
Por seu turno, a taxa de desemprego, que começou ainda por crescer, embora a um ritmo mais lento – dado o normal desfasamento entre a recuperação do crescimento económico e a evolução do emprego -, começou finalmente a descer desde meados de 2007 até ao final do primeiro semestre de 2008, em que caiu para os 7,3%. Nessa altura, os dados do INE assinalavam também que a economia tinha criado, desde a entrada em funções do Governo do PS, nada menos de 133 mil novos empregos, em termos líquidos.
Este incontestável processo de recuperação da economia portuguesa foi interrompido, a partir do início de 2008, por consequência dos efeitos da crise internacional.
Numa primeira fase, assistiu-se a um marcado abrandamento da economia, em resultado do impacto da crise do “subprime” nos mercados financeiros, a que se juntaria, pouco depois, o disparar dos preços das matérias-primas, dos bens alimentares e, em especial, do preço do petróleo. A crise agravou-se e generalizou-se já na segunda metade do ano, com a súbita falência de grandes instituições financeiras norte-americanas e europeias e a necessidade de intervenções de emergência dos Estados para salvar o sistema financeiro e proteger as suas economias de efeitos mais devastadores.
A crise financeira tornou-se uma crise económica e a recessão instalou-se, progressivamente, por toda a parte. A Islândia, um dos Países mais desenvolvidos do Mundo, entrou em bancarrota. As grandes economias do Mundo – Estados Unidos, Rússia, Japão - entraram no vermelho. A própria Zona Euro entrou em recessão ainda no terceiro trimestre do ano. Na Europa, a recessão chegou primeiro à Irlanda, à Dinamarca, à Estónia e à Letónia, seguindo-se-lhes a Itália, a Suécia e a própria Alemanha. Esta situação acabou, inevitavelmente, por atingir também a economia portuguesa. Portugal, tal como o Reino Unido, a Hungria e a nossa vizinha Espanha, teve o seu primeiro crescimento negativo no terceiro trimestre de 2008, o que permite antecipar, com os dados agora disponíveis, um quadro recessivo para a evolução da economia portuguesa.
É evidente que a situação causada pela crise internacional muda tudo. Só a demagogia pode pretender atribuir às políticas do Governo a responsabilidade por uma recessão que vem de fora e que é, como todos os portugueses sabem, global. E só a falta de seriedade política pode pretender que se cumpram, neste novo contexto, os objectivos económicos traçados no início da legislatura.
Todas as instituições têm vindo a rever sucessivamente as suas previsões, ajustando-as à verdadeira dimensão de uma crise cujas proporções ninguém conseguiu estimar com exactidão. Tal como todos os Governos têm vindo a rever os seus cenários e, sobretudo, as suas medidas de política porque, neste momento, o dever de quem governa é este: responder bem à crise internacional e fazer o que for possível para, com sentido das responsabilidades, recuperar a economia, apoiar as empresas, defender o emprego e proteger as famílias. É isso o que o Governo do PS tem feito. É essa, hoje, a agenda prioritária da Maioria e do Governo do PS.