Em 2005, depois do fracasso da governação da direita (PSD/PP), a situação do País era extremamente grave: défice elevadíssimo, sem paralelo na Europa; ruptura iminente na segurança social; crise prolongada de confiança; economia em risco de uma segunda recessão em três anos; crescimento galopante do desemprego; adiamento das reformas; desinvestimento nas políticas sociais e, para além de tudo, uma falta de sentido de Estado e da dignidade das instituições tão intolerável que obrigou à demissão antecipada do Governo PSD/PP, de Santana Lopes e Paulo Portas.
Como noutros momentos particularmente difíceis da nossa história democrática, os portugueses decidiram depositar a sua confiança no PS. Deram-lhe mesmo a primeira maioria absoluta da sua história.
O Governo do PS teve pela frente, desde logo, duas verdadeiras situações de emergência: o défice excessivo, bastante mais elevado do que antes se supunha; e o grave desequilíbrio financeiro na segurança social, que ameaçava seriamente o pagamento futuro das reformas e das pensões.
Prosseguindo com firmeza uma estratégia de rigor, o Governo do PS fez aquilo que precisava de ser feito. A esquerda moderna que o PS representa acredita no modelo social europeu e no papel indispensável do Estado Social - mas também sabe que um Estado ineficiente e financeiramente estrangulado não pode cumprir a sua missão, responder aos desafios do presente e garantir o futuro das políticas sociais.
Em apenas dois anos (menos um do que o previsto), o PS conseguiu vencer a crise orçamental que a direita tinha deixado, trazendo o défice dos projectados 6,83% de 2005 para os 2,6% do PIB no final de 2007 e os 2,2% previstos para o final de 2008 - o défice mais baixo em toda a história da democracia portuguesa.
Paralelamente, o PS concretizou uma profunda reforma da segurança social, que salvou a segurança social pública da grave situação de “alto risco” em que se encontrava, dando-lhe mais equidade e mais sustentabilidade, num quadro demográfico reconhecidamente mais exigente.
Assim, o Governo do PS resolveu, com determinação e coragem, as duas graves situações de emergência que herdou: venceu a crise orçamental e venceu a crise da segurança social.
Mas é preciso dizer que estes resultados não se devem apenas ao sentido das responsabilidades do Governo e ao esforço do País - estes resultados aconteceram também porque os portugueses, na hora certa, confiaram no PS e decidiram dar-lhe uma maioria absoluta.